Desconfiança em STF atinge 60% em pesquisa histórica, diz AtlasIntel

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A confiança dos brasileiros na justiça chegou a um ponto crítico. Uma nova pesquisa da AtlasIntel, divulgada nesta sexta-feira, 20 de março de 2026, revela que 60% da população não confia no trabalho dos ministros do Supremo Tribunal Federal(STF). É o nível mais alto de rejeição desde que a série histórica de pesquisas começou, em janeiro de 2023. Enquanto isso, apenas 34% afirmam confiar na corte máxima.

O dado foi coletado em parceria com o jornal O Estado de S. Paulo e envolveu 2.090 entrevistados entre 16 e 19 de março de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais. Mas o número sozinho já conta parte da história. O que realmente chama atenção é a velocidade da queda. Estamos falando de uma inversão completa do sentimento público em pouco mais de três anos.

A trajetória da desconfiança

Vamos voltar um pouco no tempo para entender a gravidade. No início da série, lá em janeiro de 2023, o cenário era praticamente empatado: 45% confiavam e 44% não confiavam. Era um equilíbrio instável, sim, mas havia esperança. Dois anos depois, em agosto de 2025, a balança já começava a pesar demais para o lado negativo, com 51,3% de desconfiança. Agora, em março de 2026, o buraco se aprofundou para 60%. Isso representa uma queda de 15 pontos percentuais na confiança desde o final de 2025.

Acredito que aqui cabe um detalhe importante. Não se trata apenas de flutuação normal de opinião pública. Os dados mostram um declínio constante na credibilidade da instituição a partir de 2025. Ou seja, algo estrutural aconteceu nesse período recente. Para muitos analistas políticos, esse movimento indica um desgaste irreversível se não houver ações corretivas drásticas por parte do Judiciário.

O impacto do caso Master

E o que estaria provocando essa mudança de humor nacional? A resposta parece estar nas respostas sobre competência e imparcialidade. Segundo a sondagem, 59,5% dos entrevistados acham que a maioria dos ministros não demonstra capacidade técnica ou isenção ao julgar processos. Pior: 76,9% enxergam muita influência externa — de políticos, partidos e grupos poderosos — nas decisões. Basicamente, a sociedade sente que o Judiciário virou um instrumento político, e não um árbitro neutro.

Um dos maiores catalisadores dessa percepção é o chamado "caso Master". O escândalo é conhecido por 97,6% dos brasileiros. Mais de 74% afirmam saber detalhes da investigação. Apenas 2,5% dizem desconhecer. A pesquisa aponta que a imagem de ministros específicos sofreu danos severos. Nomes como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli foram mencionados, embora um deles tenha sofrido um aumento de rejeição de 31 pontos percentuais desde agosto passado, tornando-se o membro com pior imagem para 81% dos consultados.

Divisões sociais e econômicas

Divisões sociais e econômicas

Curiosamente, a desconfiança não cai igualmente sobre todos. Existe um abismo econômico claro na análise demográfica. Quem ganha entre R$ 3.000 e R$ 5.000 mensais tem a maior taxa de rejeição à corte: 69,6% não confiam. Em contrapartida, apenas 27,8% dessa mesma faixa expressam confiança. O grupo que ganha acima de R$ 10.000 ao mês é a única parcela com saldo positivo, onde 48,5% confiam contra 45,3% que não.

O lado político também trouxe surpresas. Tradicionalmente, o eleitorado do governo via o STF como uma aliada. Hoje, houve uma deterioração marcante entre os votos de Lula. A avaliação positiva diminuiu 22,7 pontos percentuais desde 2025. Isso é inusitado. Se antes a base governamental usava a corte como argumento contra a oposição, agora ela se inclina negativamente. Sugere uma ruptura profunda na forma como as massas interpretam o papel das instituições.

Crise generalizada das instituições

Crise generalizada das instituições

No entanto, não dá para culpar apenas o Judiciário isoladamente. O cenário institucional no Brasil em março de 2026 é bastante sombrio em geral. Conforme a mesma pesquisa da AtlasIntel, o Congresso Nacional teve o resultado pífio: apenas 9% de confiança. É a nota mais baixa entre todas as medidas. Até as Forças Armadas registraram 60% de desconfiança.

O governo federal, por sua vez, aparece com 59% de percepção negativa. Tudo isso pintado num único mapa mostra que o problema é sistêmico. Quando o STF, o Congresso e as Forças Armadas perdem a credibilidade simultaneamente, o tecido social fica vulnerável. A sensação é de que a cidadania sente-se esquecida pelos mecanismos de controle de poder. E quando a sociedade não confia, a estabilidade democrática corre risco real.

Perguntas Frequentes

Por que a confiança no STF caiu tanto desde 2023?

O declínio foi impulsionado principalmente pela percepção de parcialidade nas decisões judiciais e pela divulgação do escândalo conhecido como "caso Master", além da crescente impressão de interferência política direta nas sentenças da corte em 2025 e 2026.

Qual método foi usado na pesquisa AtlasIntel?

A sondagem utilizou uma amostra de 2.090 respondentes pesquisados entre 16 e 19 de março de 2026, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, realizada em parceria com o jornal O Estado de S. Paulo.

Como a renda influencia a confiança na Justiça?

Quanto menor a renda familiar, maior a rejeição. Famílias entre R$ 3 mil e R$ 5 mil têm 69,6% de desconfiança, enquanto quem ganha acima de R$ 10 mil é a única classe com saldo de confiança positivo na instituição.

Outras instituições também perderam credibilidade?

Sim, o cenário reflete uma crise generalizada. O Congresso Nacional tem apenas 9% de aprovação, e até o Governo Federal e as Forças Armadas registram níveis majoritários de desconfiança entre a população brasileira neste ano.