Agentes da PIRC ameaçam greve e decidem não mais acatar ordens da direção

Briga na penitenciária

Agentes penitenciários estiveram reunidos na PIRC em Juazeiro (Foto: Reprodução/Redes sociais)

Agentes penitenciários que trabalham na Penitenciária Industrial e Regional do Cariri (PIRC) em Juazeiro do Norte estão ameaçando entrar em greve caso a diretora da casa de detenção, Isabeliza Silva Campos, não seja posta para fora do cargo. Em reunião, eles decidiram não mais acatar as ordens da direção e, num contato com a reportagem do Site Miséria, deixaram claro que não existe mais diálogo entre a categoria e a diretora que está há seis meses na função.

As informações foram prestadas pelo diretor regional do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Ceará (SINDAP/CE), Carlos Eduardo de Brito, acrescentando que o impasse vem ocorrendo há meses. Segundo ele, os agentes só já não cruzaram os braços por conta de uma promessa feita à Secretária de Justiça do Ceará, Socorro França. O sindicato enviou um documento à mesma com cópia para o Juiz das Execuções Penais de Juazeiro, Péricles Victor Galvão de Oliveira.

De acordo com Carlos Eduardo, existe uma “insatisfação generalizada” e chega a comentar sobre o que considera imposições na definição das férias dos agentes, instalação na enfermaria da central de ar condicionado conseguida por eles para o alojamento da classe e a falta de conhecimento prático e jurídico. A categoria reclama ainda prejuízos na execução das horas extras determinadas pela direção da PIRC.

Os documentos enviados à SEJUS e ao poder judiciário citam ainda o uso indevido da viatura Hilux da penitenciária de Juazeiro quando os agentes ficam obrigados a promoverem escoltas noutro veículo, segundo eles, sem as mínimas condições de tráfego e submetendo-os a ricos. Outra queixa é quanto ao que consideram “indiferença e omissão” da diretora Isabeliza Silva na solução de “graves problemas” mencionando como exemplos morte de detentos, tentativas de fugas e situações precárias do presídio.

Neste mês de maio, ainda segundo o documento, a direção estabeleceu regras na execução das horas extras a ponto de “prejudicar os agentes penitenciários, obrigando-os a ficarem mais dias na unidade ao invés da escala alternativa sugerida pela categoria. Além disso e “sem um fundamento legal”, teria proibido permutas feitas de comum acordo entre os agentes.

O documento diz mais que a diretora acusa os agentes de alterarem os relatórios diários de plantão e não promoverem as escoltas de detentos para consultas e exames médicos mesmo mediante comprovações. Inclusive, agentes penitenciários que chefiam equipes já entregaram os cargos. Caso à Secretária Socorro França não adote uma posição, eles prometem pressionar o Juiz das Execuções Penais, o Ministério Público, a Defensoria Pública, o Conselho Penitenciário e a OAB/CE.

A reportagem do Site Miséria manteve contato com o aparelho celular de Isabeliza Silva e a mesma atendeu. Após a identificação do repórter e a primeira pergunta, a ligação caiu. Novas tentativas foram feitas e, por um bom período, a informação que o aparelho estava desligado. Noutro momento até que chamou, mas ela não voltou a atender e nem retornou a ligação.

Fonte Site Miséria
Texto Demontier Tenório

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