Mutação do coronavírus leva 40 países a restringir a entrada de passageiros do Reino Unido

Foto: Google Imagens

Especialista em emergências da Organização Mundial da Saúde disse que não há nenhuma evidência de que qualquer variante do coronavírus seja mais grave do que outra.

Quarenta países adotaram restrições à entrada de passageiros vindos do Reino Unido. O motivo é a preocupação com uma nova variante do coronavírus identificada no país.

Governos mundo afora fecharam as fronteiras para o Reino Unido. A medida é para travar a entrada de uma das mutações do novo coronavírus.

Mas a agência inglesa de saúde tinha notificado a variante em setembro e notificou a OMS. Essa versão recebeu o nome de linhagem B.1.1.7. e já sofreu pelo menos 23 mutações. A principal delas mudou a forma do espinho do novo coronavírus. É a proteína que ele usa para abrir a porta da célula. Mas ainda não existe certeza de que a chave tenha ficado mais eficiente.

O governo britânico explicou que tem uma “confiança moderada” de que a mutação fez o vírus até 70% mais contagioso. Mas há a possibilidade ainda de que o comportamento das pessoas tenha facilitado a vida do vírus. O fato é que a agência inglesa de saúde já sabia há meses que essa variação do novo coronavírus vem ganhando força em Londres.

Em novembro, ela representava um em cada quatro novos casos da capital. Agora em dezembro, são dois em cada três.

O conselho científico britânico acha que a variação pode ter surgido lá ou em outro lugar. O projeto Nextstrain, que monitora as amostras virais em todo o mundo, confirmou casos dessa versão na Austrália, na Dinamarca e na Holanda. O governo francês acha que a variação do novo coronavírus já estaria no país.

Quilômetros de caminhões estão presos entre o Reino Unido e a França. O ministro dos Transportes garantiu que os frascos da Pfizer e da BioNTech vão continuar chegando da Bélgica.

O governo britânico informou que tudo indica que a vacina funciona contra essa versão.

O especialista em emergências da Organização Mundial da Saúde concorda. Mike Ryan disse nesta segunda que não há nenhuma evidência de que qualquer variante seja mais grave do que outra.

Julian Tang, virologista da Universidade de Leicester, explica que todo vírus muda muito: o de Wuhan, na China, já sofreu mais de mil mutações. Ele diz que seriam necessárias mutações em série para vacina não funcionar. O novo coronavírus é recente e estável na comparação com o vírus da gripe comum, por exemplo.

A mutação em geral acontece numa pessoa infectada há semanas. O vírus ganha mais tempo para evoluir. Algumas mutações desaparecem; outras se adaptam melhor.

A versão que surgiu na Europa em fevereiro se tornou a forma mais dominante do vírus no mundo. Outra se espalhou na Espanha durante as férias de verão.

Algumas variantes nem são tão contagiosas, mas se espalham fácil sem máscaras ou distanciamento. Elas estão no lugar certo na hora certa para azar da população.




Fonte G1

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